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quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

O grande truque



A novela acabou. Ronaldinho finalmente é do Flamengo. Não que o desfecho cause surpresa, longe disso. Bastaria uma curta retrospectiva de fatos análogos para saber.
Até 1994, a fornecedora de materiais esportivos da CBF era a inglesa Umbro. A partir de 1995 foi substituída pela Nike. Desde então, o que se vê é um verdadeiro de festival de craques desfilando com equipamentos da empresa americana.
A mudança tem reflexos diretos sobre o futebol brasileiro. Não por acaso, a Nike foi fornecedora de apenas duas equipes no país: Corinthians, sendo que o convênio perdura até hoje, e Flamengo. Não por acaso, são essas as duas equipes consideradas as de maior torcida no país. E não por um acaso, a maior emissora de televisão do Brasil transmite, majoritariamente, jogos que envolvam as duas equipes.
O que isso tem a ver com Ronaldinho? Aparentemente, o vínculo entre Rede Globo, CBF e os dois maiores clubes do país é a chave para a contratação de craques que também são patrocinados pela Nike. Observemos o histórico recente: Ronaldo, Nike, Corinthians; Adriano, Nike, Flamengo; agora, Ronaldinho, Nike, Flamengo. Se esses indícios não forem suficientes, talvez caiba citar que há quase 2 anos Kaká não consegue se destacar no futebol europeu e nem assim houve interesse dos clubes citados para que ele retornasse ao futebol brasileiro. Detalhe: Kaká é patrocinado pela principal concorrente da Nike, a Adidas.
Outro fato no mínimo curioso são as tendências de destino dos grandes craques considerando seu passado. Ronaldo, revelado pelo Cruzeiro, equipe que nos últimos anos oscilou seus fornecedores entre Puma e Reebok, nem se lembrou do time da Toca da Raposa ao retornar para o Brasil. E acho desnecessário citar o quanto Ronaldinho GAÚCHO era dado quase como certo no Grêmio, time que o trouxe para as principais páginas nos jornais esportivos. Afinal, o time do Rio Grande do Sul disputará a Libertadores da América, um dos poucos títulos que o craque não possui, enquanto o Flamengo se resumirá à Sulamericana e à Copa do Brasil, além, é claro, dos Campeonatos Carioca e Brasileiro.
Para mim, a contratação de Ronaldinho pelo clube da Gávea soa muito mais como golpe midiático do que contratação futebolística. Ouvi na imprensa que o amistoso entre América-MG e Flamengo, que se realizará no próximo domingo, será transmitido para 140 países através da Globo Internacional. Um AMISTOSO entre o Flamengo e um time que acabou de subir da Série B. Fica óbvio, nesse contexto, quem são os maiores beneficiados do desfecho dessa novela.
São as coisas que acontecem em nosso país. Cada vez mais fica a impressão de um futebol que tem como principal objetivo ludibriar a torcida para que esta consuma todo o aparato utilizado nos campos, em seus intervalos, nas suas entrelinhas. Não bastasse a tentativa desesperada, escrachada e (graças a Deus!) inútil de fazer com que o Corinthians se sagrasse campeão brasileiro ano passado, ainda temos que presenciar coisas dessa natureza.
Cada povo tem o futebol que merece.
Ah, lembrem-se: Holanda 2 x 1 Brasil.

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Ano novo



2011 chegou com poucas novidades. O mercado da bola anda um tanto parado. As poucas movimentações, no entanto, soam bombásticas: há quem fale que o acerto de Ronaldinho com o Flamengo sai até quarta-feira. Houve quem cogitasse até que o Grêmio, clube que defendeu no início da carreira, estaria no páreo. O fato é que patrocinadores que banquem os altos salários do Show man, tanto em um clube quanto no outro, não faltariam. É fato também que a hipotética opção do craque pelo Flamengo com certeza tem relação com a óbvia preferência da Rede Globo, detentora dos direitos de transmissão do Campeonato Brasileiro, para que ele defenda o rubro-negro carioca. Seria uma tremenda atração para as transmissões, que normalmente giram em torno do time da Gávea. Nesse contexto, ficou em segundo plano a vinda do argentino Botinelli, contratado na tentativa de se transformar em micro fenômeno, como Dario Conca ou Valter Montillo.
Fora as especulações sobre o repatriamento de mais um medalhão do futebol brasileiro, poucas coisas agitaram o vai e vem do mundo da bola no final de dezembro. O zagueiro Miranda, do São Paulo, vai defender o Atlético de Madri. Lucas, um dos destaques do tricolor paulista, pediu 600% de reajuste salarial e pode não renovar com a equipe de Paulo César Carpeggiani. No Palmeiras, Kléber e Valdivia eram dúvidas para permanecer, mas uma conversa com o técnico Luís Felipe Scolari e a diretoria parece ter resolvido os atritos que ambos tinham com a comissão técnica. O Santos trouxe de volta Elano, além de agora contar com o goleiro Aranha e o lateral Jonathan. O Corinthians pouco se movimentou para reforçar seu time para disputar a Libertadores, limitando-se apenas a trazer jogadores de equipes de médio porte até o momento. No Rio de Janeiro, a única novidade além da possível ida de Ronaldinho ao Flamengo é a chegada de Souza ao Fluminense para disputar vaga na meia com Conca e Deco.
O futebol mineiro está lento como sempre. As mesmas táticas que não vêm dando certo nos últimos anos foram adotadas pelas duas principais equipes.
O Atlético até o momento fez 6 contratações, sendo que as de maior expressão são as do volante Richarlyson e do atacante Jobson. Seguem-se a eles vários nomes desconhecidos ou de jogadores em fim de carreira, como o atancate Magno Alves. Para o gol, vem o titular do Grêmio Prudente no último Brasileirão, Giovanni. Seguindo a tradição, a diretoria faz apostas em jogadores que, em teoria, não resolveria a vulnerabilidade da equipe em setores delicados, como o meio e a defesa.
Já o Cruzeiro segue com a política de contenção de gastos observada nos últimos tempos. Jogador bom? Apenas se for barato. O problema do centro-avante deu indícios de desaparecer após os boatos de que Rafael Moura estaria para ser contratado, mas bastou He-man fazer uma pedida alta e o Cruzeiro deu para trás na negociação. Como sempre, poucas novidades. Apenas o zagueiro Naldo vem para o lugar do indeciso Leonardo Silva, que acabou por não renovar seu contrato após quase 2 meses de negociação. A diretoria cruzeirense segue a tradição de sondagens pouco incisivas, e acabará por contratar 2 ou 3 jogadores baratos que não serão solução dos problemas, alegando "indisponibilidade no mercado". Claro, isso tudo depois de a janela estar quase fechada e todos os bons jogadores já haverem sido contratados.
O América luta para planejar um retorno positivo à Série A, esbarrando nas limitações financeiras às quais está submetido. A manutenção da base da equipe que fez boa campanha na Série B é seu maior trunfo. Talvez a tática seja se manter na elite por um ano, de forma a conseguir recursos suficientes para organizar uma equipe competitiva para 2012. E acredito que essa seja a melhor tática a ser seguida.
As más notícias vêm do Governo do Estado que, mais uma vez, demonstrou todo o seu descaso com o esporte mineiro. As obras no Independência, previstas para terminar no início deste ano, agora já são dadas como certas apenas no final dele. Anuncia-se mais uma temporada em que o futebol mineiro não terá casa na Capital do estado, enquanto borbulham os relatos de que no Estádio localizado na região do Horto poucos trabalhadores estão sendo utilizados na obra. Vergonhoso.
A temporada que inicia-se no final do mês de janeiro dá indícios de que será semelhante à última: com alguns grandes nomes, mas com a emoção restrita a um nível técnico nivelado por baixo.