
O campeonato mineiro começou. E com exceção do jogo Guarani e Ipatinga, que terminou 5 a 0 para o time de Divinópolis, os jogos tiveram a marca do equilíbrio.
O Cruzeiro estreou na Arena do Jacaré, contra a Caldense. A escalação do time foi a mesma utilizada no ano passado, apenas com Pablo no lugar de Marquinhos Paraná, que estava machucado. Aliás, Pablo foi um dos grandes nomes da equipe cruzeirense, juntamente com Diego Renan, Léo e os reservas Walisson e Dudu, que entraram no segundo tempo. Foi a estes destaques indivudais, contudo, que se resumiu a partida.
O primeiro tempo foi marcado por muitos erros. Do lado cruzeirense, o famoso último passe não entrava. Os meias Gilberto e Montillo estavam em apagados, e coube a Henrique, que também não fez grande partida, e a Pablo, além dos laterais Rômulo e Diego Renan armar as jogadas ofensivas. No ataque, um Tiago Ribeiro que se movimentava muito, mas não acertava nenhum passe e um Welington Paulista que saía muito da área e não recebeu bolas em claras condições de finalização. Resultado: o time da casa teve a posse de bola, rondou o gol adversário, sem que houvesse chances que assustassem os defensores de Poços de Caldas. A Caldense, por sua vez, neutralizou bem a parcela ofensiva do time do Cruzeiro e contra-atacou com qualidade. Mas esbarrou na ineficiência de seus atacantes, que tiveram duas oportunidades claríssimas de gol, cara a cara com o goleiro Fábio, e desperdiçaram. O primeiro tempo terminou zero a zero. O Cruzeiro só foi conseguir o gol no segundo tempo, depois que Tiago Ribeiro sofreu pênalte duvidoso. Welington Paulista converteu a cobrança. Daí pra frente, a Caldense foi para cima, e abriu espaços em sua defesa. Após tabela com Welingon Paulista, Diego Renan fez o segundo gol minutos após o primeiro. A partida continuou com a mesma temática, a Caldense buscando a recuperação e dando brechas em sua defesa para os rápidos contra ataques cruzeirenses puxados por Walisson e Dudu. E em uma dessas contra ofensivas saiu o terceiro gol. Jogada de Walisson pela direita e gol de Dudu, no rebote dado pelo bom goleiro Glaysson após o cruzamento. E assim terminou a partida.
O Cruzeiro, a julgar pela primeira partida, preocupa. A equipe que até ano passado possuía um padrão de jogo, que consistia na espera do adversário em seu campo de defesa e a rápida saída utilizando os laterais, volantes e meias, não se fez presente nesse primeiro momento. O time celeste talvez tenha esbarrado na falta de inspiração de seus meias, na inconstâcia do lateral Rômulo, na atuação discreta do volante Henrique e na falta que fazem Marquinhos Paraná e Fabrício para o rápido desarme do meio campo adversário. Via-se um time que tocava a bola de um lado para o outro esperando uma brecha da Caldense, que, de fato, apareceu no segundo tempo. Mas não é viável contar com isso na Libertadores e no Brasileirão, contra equipes mais qualificadas.
O Atlético foi a Montes Claros enfrentar o Funorte no domingo. Cercado de muita badalação pelos altos investimentos que fez para a temporada, o time de Dorival Júnior promoveu a estréia de Richarlyson e Jobson. Mas logo que o apito inicial foi dado, viu-se que ainda há um longo caminho para percorrer. Alguns torcedores do Galo, que no ano passado relataram ver uma equipe que “parecia que não treinava” em campo, devem ter se assustado. Apesar dos grandes nomes no elenco, não houve padrão de jogo. A impressão nítida era de que os jogadores não sabiam o que fazer quando tinham a bola nos pés. Tardelli e Jobson estavem perdidos na frente, ambos buscando muito o jogo e caindo pelos lados do campo. Não havia homem de referência, os laterais praticamente não participaram do jogo. Assim, a única jogada que restou foi a bola parada. Nos escanteios o Atlético até criou oportunidades. Mas foi o Funorte que marcou, um golaço do lateral Stanley. A primeira etapa terminou em um a zero. No segundo tempo, o Galo voltou com Wesley e Magno Alves, com Serginho na lateral direita. E assim chegou ao empate. Jogada individual de Wesley, o goleiro Rafael defendeu com o pé e Magno Alves empurrou com o gol vazio. Minutos depois, o Funorte teve a chance de retomar a vantagem, mas despediçou chance claríssima de gol. E, mais uma vez, quem não aproveita as oportunidades acaba sendo punido. Jogada de Serginho, enfiada de bola para Wesley que caiu na área: mais um pênalte muito duvidoso marcado na rodada. Tardelli converteu e, apesar da pressão do Funorte até o fim da partida, o resultado ficou mesmo em 2 a 1.
O Atlético demonstrou em seu primeiro confronto que os altos investimentos valeram a pena. Afinal, foram jogadas individuas que decidiram o jogo. Mas pensando além do Campeonato Mineiro, é muito pouco. Não dá pra depender de inspiração individual para vencer grandes adversários, é preciso que seja definido de vez qual o esquema tático do time, que em menos de 6 meses já oscilou entre 3-5-2, 4-4-2 e 4-3-3, e que se faça um trabalho em cima do que for definido. O que o Atlético precisa é desenvolver uma espinha dorsal, um modus operandi, uma estrutura tática que permita ao torcedor olhar para o jogo e dizer: “É isso que eles estão fazendo”. Sabemos, por exemplo, que Inter, Grêmio, São Paulo ficam esperando uma bola parada para tentar fazer seus gols. Sabemos também que o Fluminense mantém a posse de bola, até conseguir dar um passe para o Conca mais ou menos livre para que ele coloque algum companheiro na cara do gol. É disso que o Galo precisa: uma cara.
O América estreou empatando em 1 a 1 com o Uberaba no sábado. Não vi o jogo, mas dizem que faltou preparo físico. Ontem a equipe voltou a jogar, dessa vez contra a Caldense, em Poços de Caldas. O que se viu foi o time da casa atacando muito mais e, novamente, esbarrando na falta de pontaria. O Coelho não tinha saída rápida para o campo de ataque, em função das más atuações dos meias Irênio e Luciano. Os atacantes Fábio Jr. e Daniel Lovinho eram obrigados a voltar para buscar jogo e assim não havia prosseguimento das jogadas ofensivas por não haver opções à frente. Em uma partida assim, gols só poderiam ter origem individual. E foi isso que aconteceu. No primeiro, o goleiro Glaysson soltou o cruzamento no pé de Fábio Jr., que cruzou novamente e encontou Luciano para fazer de cabeça. Já perto do fim do primeiro tempo, Fábio Jr. recebeu entre dois marcadores na entrada da área, se livrou deles, limpou Glaysson e tocou para o gol vazio. UM GOLAÇO. Coisa de quem sabe o que faz, de artilheiro nato. Segundo gol do centro-avante no ano, ele que prometeu fazer um gol na temporada para cada um de seus 33 anos de idade. O segundo tempo foi a repetição do primeiro: uma Caldense que atacava muito, mas errava as finalizações e esbarrava no goleiro Flávio quando acertava, e um América sem força ofensiva no meio campo, criando perigo apenas em falhas individuais do time da casa. E o resultado ficou por isso mesmo.
Com o trabalho que foi feito ano passado e a manutenção do grupo, da espinha dorsal da equipe que conseguiu o acesso à Série A do Brasileirão, o América demonstra um time encorpado, com uma consistência tática muito grande. Possui jogadores experientes que vêm jogando um futebol de altíssimo nível, como o goleiro Flávio e o atacante Fábio Jr.. Mas ao contráio do que parece acreditar o técnico Mauro Fernandes, acredito que a equipe funcionava melhor no esquema 3-5-2. A defesa era mais segura, e a saída para o ataque mais rápida. Com a entrada de Daniel Lovinho na time, situações interessantes poderiam ser criadas pelas laterais do campo, contando sempre, é claro, com a presença do artilheiro (e MELHOR CENTRO-AVANTE EM ATIVIDADE NO FUTEBOL MINEIRO) Fábio Jr. para a conclusão. Além disso, Luciano, aposta do treinador americano para substituir Preto e, assim, fazer a transição para o 4-4-2, parece ainda receoso em função da sua recente contusão e não vem apresentando bom futebol. Alguns ajustes apenas são necessários para que o América entre de vez como terceira força do futebol mineiro.


